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Sunburnkids: o criador que não cabe em uma profissão

Nascido em 2005, Lee Eunchan passou da moda independente à direção de imagens para nomes como Zior Park, J-Hope, Sunday Service, SoFaygo e, agora, JENNIE. Mas reduzir sua história à idade ou à lista de celebridades seria perder justamente aquilo que torna Sunburnkids interessante: ele pertence a uma geração para a qual música, fotografia, moda e cinema já não precisam existir separadamente.

Cultura
Sunburnkids: o criador que não cabe em uma profissão
Redação da Revista Cloud

Redação da Revista Cloud

Publicado
25 ago 2026
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14 Min
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Em 24 de agosto de 2026, JENNIE publicou duas imagens em suas redes sociais.

Cabelo curto, chapéu vintage, pérolas, rendas. A cantora aparece como uma atriz retirada de um filme das décadas de 1920 ou 1930. Sobre as fotografias, frases em inglês surgem como antigos intertítulos de cinema mudo.

Na legenda, poucas palavras.

“This Friday. Directed by: sunburnkids.”

Para milhões de seguidores de JENNIE ao redor do mundo, talvez aquele nome ainda fosse desconhecido.

Na Coreia do Sul, porém, Sunburnkids já vinha aparecendo havia alguns anos em um dos lugares mais interessantes da cultura contemporânea coreana: atrás das imagens.

Fallen Angel, novo EP digital de JENNIE
Fallen Angel, novo EP digital de JENNIE
Fallen Angel, novo EP digital de JENNIE
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Fallen Angel, novo EP digital de JENNIE
Fallen Angel, novo EP digital de JENNIE

As fotografias antecipam Fallen Angel, novo EP digital de JENNIE, programado para 28 de agosto. O projeto reúne “FALLEN ANGEL”, “HEAVEN” e “Less than a Lover”, e foi apresentado pela OA Entertainment como um trabalho que parte de um espaço profundamente pessoal da artista.

Mas há algo especialmente significativo no crédito de direção.

Porque o jovem responsável por construir parte desse novo universo visual de uma das maiores estrelas do pop asiático nasceu em 2005.

Seu nome é Lee Eunchan.

E talvez seja um dos personagens que melhor explicam o que está mudando na cultura criativa da Coreia.

Sunburnkids
Sunburnkids

Antes de perguntar sua idade, é preciso perguntar o que ele faz

Fotógrafo?

Diretor criativo?

Estilista?

Diretor de videoclipes?

Designer?

Músico?

A resposta mais correta provavelmente seria:

sim.

Sunburnkids cresceu profissionalmente recusando, mesmo que não necessariamente de forma consciente, a velha ideia de que um artista precisa escolher uma única disciplina.

Sua história começou cedo.

Por volta dos 14 anos, enquanto passava um período nos Estados Unidos, desenhava sozinho. Quando voltou à Coreia, decidiu transformar aqueles desenhos em roupas e foi diretamente ao mercado de Dongdaemun, em Seul, perguntar como elas poderiam ser produzidas.

Fez algumas peças.

Depois começou a enviá-las para artistas que admirava.

Uma delas chegou a Zior Park.

Do encontro surgiu um convite para styling. Depois vieram direção de arte, videoclipes, campanhas e outras experiências visuais. Sunburnkids conta que passou a observar atentamente os processos de produção nos sets e aprendeu, em grande parte de forma autodidata, como transformar uma ideia escrita em imagem.

Essa origem é importante.

Sunburnkids não parece ter começado dizendo:

“Quero ser fotógrafo.”

Ou:

“Quero ser estilista.”

Ele tinha imagens na cabeça.

As profissões vieram depois.

Empty - Series I
Empty - Series I

Criar uma cena

Talvez a melhor definição de seu trabalho tenha sido dada pelo próprio Sunburnkids.

Em uma entrevista à HIGH CUT em 2026, ele explicou que atualmente se vê menos como alguém que simplesmente “faz imagens” e mais como alguém que organiza cenas.

A diferença parece pequena.

Não é.

Uma fotografia existe dentro de um enquadramento.

Uma cena pode precisar de roupa, corpo, espaço, luz, música, movimento, personagem e narrativa.

Para Sunburnkids, os projetos frequentemente começam com uma emoção ou uma frase. A partir daí, essa ideia pode se transformar em cenário, fotografia, roupa, vídeo ou performance.

O meio deixa de ser o ponto de partida.

A sensação vem primeiro.

Essa lógica também explica sua ambição declarada de realizar trabalhos nos quais moda, música e performance deixem de aparecer como áreas separadas e passem a existir naturalmente dentro do mesmo universo.

É uma postura particularmente representativa de uma geração criada depois da consolidação da internet.

Para seus predecessores, a carreira criativa costumava funcionar através de especializações.

Um fotógrafo construía uma carreira como fotógrafo.

Um estilista, como estilista.

Um diretor de cinema, como diretor.

Para muitos criadores nascidos nos anos 2000, essas fronteiras perderam parte de sua autoridade.

O Photoshop está ao lado do Spotify.

O Instagram está ao lado do cinema.

Uma coleção pode ser também um filme.

Um álbum pode ser uma exposição.

Uma fotografia pode funcionar como capa, campanha, narrativa e meme ao mesmo tempo.

Sunburnkids cresceu exatamente nesse ambiente.

Photographer / CD for @bape.korea
Photographer / CD for @bape.korea

CHAN: quando roupa era quase um diário

Em 2022, ele lançou CHAN, sua primeira marca.

Mas chamar CHAN simplesmente de marca de moda também seria impreciso.

O próprio Sunburnkids posteriormente descreveria o projeto como algo próximo a um diário pessoal: um espaço onde textos, memórias e ideias podiam ganhar uma existência visual.

As roupas eram importantes.

Mas frequentemente as campanhas eram ainda mais importantes.

Foi através desses trabalhos que ele começou a entender que poderia escrever uma cena e depois construir todo o universo necessário para fazê-la existir diante da câmera.

Em 2024, por exemplo, CHAN apresentou sua quarta coleção, “Chapter 4: Baby Beethoven”.

A origem estava novamente na infância.

Sunburnkids recuperou a memória de ouvir Beethoven quando criança e a transformou em uma coleção povoada por verdes suaves, azuis, rosas, laranjas e elementos quase infantis.

Não se tratava de reproduzir Beethoven literalmente.

Tratava-se de reconstruir uma memória.

Esse retorno à infância se tornaria uma das linhas mais persistentes de seu trabalho.

E, com o tempo, também uma das mais complexas.

Sunburnkids
Sunburnkids First Album : Elephant in the Room

“Elephant in the Room”: quando a imagem virou música

Em 2024, Sunburnkids lançou seu primeiro álbum completo, Elephant in the Room.

Escreveu, compôs, cantou e participou da construção visual do projeto.

Mais uma vez, a separação entre disciplinas praticamente desapareceu.

Parte da identidade gráfica do disco nasceu de desenhos produzidos por crianças depois que Sunburnkids conversou com elas sobre as histórias, letras e temas das músicas.

A infância aqui já não funcionava apenas como estética.

Tornava-se uma pergunta sobre influência e responsabilidade.

Segundo o próprio artista, um momento decisivo aconteceu quando uma criança o reconheceu na rua e contou que ouvia suas músicas constantemente.

A reação não foi simplesmente orgulho.

Foi medo.

Sunburnkids começou a pensar sobre aquilo que suas palavras poderiam produzir na formação de alguém mais jovem.

Ele interrompeu por um período sua produção, leu, passou mais tempo com crianças e começou a reconsiderar a razão pela qual fazia arte.

A partir daí, seu trabalho parece ter se afastado progressivamente de uma pergunta puramente autoral —

“Como expresso aquilo que sinto?”

— para outra mais difícil:

“O que aquilo que faço provoca em quem recebe essa imagem?”

Essa transição ajuda a explicar seu projeto seguinte.

Sunburnkids
1.7KG

1.7KG: transformar a própria origem em responsabilidade

Sunburnkids nasceu prematuro.

Pesava aproximadamente 1,7 quilo.

Em 2025, essa informação extremamente pessoal virou o nome de sua nova marca:

1.7KG.

Não se tratava apenas de substituir CHAN por uma nova etiqueta.

O conceito havia mudado.

Se CHAN funcionava como um diário, 1.7KG procurava olhar para fora.

O projeto passou a abordar temas relacionados à infância, vulnerabilidade e responsabilidade social. A marca anunciou ainda a destinação de pelo menos 1,7% dos lucros de suas coleções para iniciativas ligadas à ChildFund Korea.

A escolha é especialmente interessante porque evita apagar aquilo que normalmente seria apresentado como fragilidade.

Ele não esconde o número.

Não tenta transformar “1,7 kg” em uma narrativa clássica de superação.

Coloca o número na etiqueta.

Transforma a vulnerabilidade em identidade.

E depois pergunta o que pode fazer por outras crianças cuja história talvez seja menos visível.

Em 2025, Esquire Korea registrava que, mesmo acumulando trabalhos como estilista, músico e diretor de 1.7KG, Lee Eunchan vinha dedicando parte de seu tempo ao estudo de assistência social e à realidade de crianças em condições vulneráveis.

Talvez isso revele uma diferença importante entre simplesmente possuir uma estética e construir uma visão de mundo.

Direction & Production for @allday_project
Direction & Production for @allday_project

Da cena coreana para uma conversa global

Há outro movimento acontecendo ao mesmo tempo.

Enquanto sua obra se torna mais introspectiva em alguns aspectos, profissionalmente Sunburnkids começa a trabalhar em escalas cada vez maiores.

Ele já acumulava colaborações envolvendo Zior Park, BTS J-Hope e ALLDAY PROJECT.

Mas 2026 trouxe uma sequência especialmente significativa.

No primeiro tabloide da nova fase da revista HIGH CUT, Sunburnkids assumiu a direção de um projeto reunindo o coletivo norte-americano Sunday Service e a marca coreana San San Gear.

A escolha não era convencional.

Em vez de colocar simplesmente uma celebridade no centro de uma página, ele construiu uma imagem coletiva.

Sunburnkids combinou a movimentação do Sunday Service com referências às composições planas e simbólicas do ukiyo-e japonês.

Seu objetivo, segundo explicou, não era apenas produzir uma fotografia bonita.

Era criar uma “primeira cena” capaz de permanecer na memória.

A ideia conversa diretamente com a transformação da própria HIGH CUT.

A revista declarou que pretendia voltar ao papel priorizando menos a pergunta “quem é mais famoso?” e mais “qual imagem e qual atitude fazem sentido agora?”.

Para inaugurar essa direção, escolheu Sunburnkids.

É difícil ignorar o simbolismo.

Um jovem que cresceu em plena cultura do scroll foi chamado para imaginar o retorno de uma revista física justamente porque demonstrava interesse em imagens que exigissem mais tempo de observação.

Direction for Songzio Woman 26 Spring Summer Campaign
Direction for Songzio Woman 26 Spring Summer Campaign

SoFaygo e uma Coreia menos previsível

Poucos meses depois, veio outro encontro internacional.

Em maio de 2026, Sunburnkids trabalhou com o rapper norte-americano SoFaygo, ligado à Cactus Jack Records, em um projeto para a King Kong Magazine.

Dessa vez, o ponto de partida foi inesperadamente coreano.

O filme Taegukgi — conhecido internacionalmente como Brotherhood of War — serviu como uma das referências para uma narrativa sobre guerra, solidão, decadência intelectual e perda de consciência na sociedade contemporânea.

Casas em chamas, referências militares, máscaras feitas à mão e imagens que remetiam a escavações de restos de guerra foram organizadas dentro de uma narrativa que não procurava reproduzir literalmente um conflito histórico, mas transformar “guerra” em metáfora.

É outro sinal de algo que começa a acontecer com sua obra.

Sunburnkids não parece interessado em diluir sua identidade para se tornar internacional.

Faz o movimento oposto.

Leva referências particulares para encontros cada vez mais globais.

KING KONG Magazine
KING KONG Magazine

E então veio JENNIE

Em 24 de agosto, essa trajetória ganhou seu capítulo mais visível até agora.

JENNIE.

Não apenas integrante do BLACKPINK, mas uma das figuras asiáticas de maior projeção internacional na música e na moda contemporâneas.

Naquele dia, ela revelou as primeiras imagens de seu novo projeto, Fallen Angel.

E escreveu explicitamente:

“Directed by: sunburnkids.”

As imagens parecem pertencer a outro tempo.

JENNIE surge de cabelo curto, adornada por rendas, contas, pérolas e chapéus de inspiração vintage.

A composição lembra estrelas do cinema das décadas de 1920 e 1930.

Frases aparecem dentro dos quadros como se fossem intertítulos de um filme mudo.

Em vez da estética tecnológica e hiperpolida frequentemente associada ao K-pop contemporâneo, encontramos algo que parece antigo, imperfeito e cinematográfico.

A escolha é significativa.

Porque Sunburnkids sempre demonstrou interesse por memória, nostalgia, infância e imagens que parecem existir em algum ponto incerto entre realidade e ficção.

Agora, esse vocabulário chega à escala de JENNIE.

O EP digital Fallen Angel será lançado em 28 de agosto de 2026, com as faixas “FALLEN ANGEL”, “HEAVEN” e “Less than a Lover”.

Ainda é cedo para saber exatamente qual será a extensão da participação de Sunburnkids em todo o universo visual do projeto para além do material já creditado.

Mas o que foi revelado no dia 24 já representa um marco.

Há poucos anos, ele estava tentando descobrir como produzir algumas roupas no mercado de Dongdaemun.

Agora seu nome aparece no anúncio visual de um lançamento de JENNIE.

O salto parece enorme.

Mas talvez não seja tão abrupto quanto parece.

Porque a linguagem que o levou até ali vinha sendo construída há anos.


Fallen Angel (EP) Cover
JENNIE : Fallen Angel (EP) Cover

O problema de chamá-lo de “prodígio”

Existe uma maneira muito fácil de contar toda essa história.

“Um gênio nascido em 2005.”

É uma ótima manchete.

E uma leitura bastante limitada.

A indústria cultural possui fascínio por jovens prodígios.

A idade transforma qualquer currículo em espetáculo.

“Fez isso aos 17.”

“Conseguiu aquilo antes dos 20.”

O problema é que, quando a juventude se torna a explicação principal, ela também pode esconder aquilo que realmente merece análise.

Sunburnkids não é interessante simplesmente porque realizou muitas coisas cedo.

O mais incomum é que começou cedo a desenvolver um vocabulário próprio.

Infância.

Memória.

Culpa.

Responsabilidade.

Religião.

Família.

Fragilidade.

Fantasia.

Violência.

Nostalgia.

E uma constante tentativa de descobrir de que forma esses elementos podem existir como imagem.

Uma vez eles aparecem em uma roupa.

Outra vez, em uma canção.

Depois em uma fotografia.

Em uma revista.

Em um videoclipe.

Em JENNIE.

O meio muda.

A preocupação permanece.

SunburnKids
SunburnKids

Existe muito mais Coreia depois do K-pop

Para o público brasileiro, Sunburnkids também pode funcionar como porta de entrada para uma dimensão da cultura sul-coreana que ainda recebe relativamente pouca atenção fora da Ásia.

A Hallyu tornou artistas coreanos mundialmente reconhecidos.

Mas por trás do rosto de um idol existe um enorme ecossistema de pessoas construindo aquilo que o mundo entende como “K-pop”.

Fotógrafos.

Diretores de arte.

Designers.

Coreógrafos.

Estilistas.

Realizadores.

Artistas gráficos.

Produtores.

Alguns deles começam agora a desenvolver uma projeção que ultrapassa os bastidores.

Sunburnkids pertence a essa mudança.

Mas talvez vá ainda um pouco além.

Porque ele não parece interessado em permanecer simplesmente como “o diretor de alguém”.

Ao mesmo tempo em que trabalha com artistas maiores, continua produzindo música, dirigindo sua própria marca, criando projetos autorais e articulando questões sociais.

É justamente essa autonomia que faz sua trajetória diferente.

O objetivo não parece ser subir uma escada tradicional até chegar à indústria.

É construir um universo suficientemente próprio para que a indústria venha procurá-lo.

E quando uma artista do tamanho de JENNIE entra nesse universo, a relação muda.

Não estamos apenas vendo um jovem diretor receber uma grande oportunidade.

Estamos vendo uma linguagem que começou nas margens aproximar-se do centro da cultura pop global.

Sunburnkids (fonte: Instagram)
Sunburnkids (fonte: Instagram)

A nova geração talvez não precise escolher

Durante décadas, perguntamos aos jovens:

“O que você quer ser?”

A pergunta pressupõe uma resposta singular.

Médico.

Músico.

Designer.

Fotógrafo.

Diretor.

Talvez a geração de Sunburnkids esteja formulando outra resposta:

Por que preciso escolher apenas uma?

Isso não significa que especialização tenha perdido valor.

Significa que uma nova categoria de criador começa a enxergar habilidades diferentes como partes de uma mesma linguagem.

Sunburnkids fotografa.

Dirige.

Escreve.

Compõe.

Canta.

Estiliza.

Cria roupas.

Mas nenhuma dessas palavras parece suficiente isoladamente.

Talvez porque sua verdadeira matéria-prima não seja fotografia, moda ou música.

São cenas.

Cenas de uma infância.

Cenas de uma memória.

Cenas de guerra.

Cenas de fé.

Cenas de fragilidade.

E agora uma mulher vestida como uma estrela esquecida do cinema mudo, procurando amor dentro do universo de Fallen Angel.

Em sua entrevista à HIGH CUT, Sunburnkids comentou que começou a pensar que as cenas que cria talvez permaneçam por mais tempo do que ele próprio.

Por isso, afirmou estar se tornando mais cuidadoso com suas escolhas.

Essa talvez seja uma declaração extraordinariamente madura para alguém cuja carreira ainda está apenas começando.

No dia 24 de agosto de 2026, uma dessas cenas chegou a milhões de pessoas através de JENNIE.

Muitos provavelmente olharam primeiro para ela.

Como era de se esperar.

Mas, discretamente, logo abaixo da imagem havia outro nome.

sunburnkids.

Talvez valha a pena começar a lembrá-lo.

Porque se essa trajetória continuar na direção que tomou até agora, provavelmente não será a última vez que veremos esse nome atrás de uma das imagens que definem a cultura pop coreana contemporânea.

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