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Quem está por trás dos palcos do K-pop? — Os 10 coreógrafos que se tornaram diretores

O novo programa de dança da Mnet, 〈Street World Fighter: Directors War〉, apresenta uma perspectiva diferente sobre o universo das performances de K-pop. Desta vez, os protagonistas não são apenas os dançarinos que aparecem no palco, mas os profissionais que criam coreografias, organizam movimentos e transformam dezenas de dançarinos em uma única performance. Na1N, Renan, Bada, Baek Koo-young, Babyzoo, Simeez, Ingyu, Jung Min-jun, Kasper e Hash colocam seus próprios nomes em jogo em uma competição que vai além da dança e entra no território da direção artística.

Especial
Quem está por trás dos palcos do K-pop? — Os 10 coreógrafos que se tornaram diretores
Redação da Revista Cloud

Redação da Revista Cloud

Publicado
26 ago 2026
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13 Min
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Mais do que dança, a criação de uma obra

Quando assistimos a um palco de K-pop, normalmente nossos olhos estão voltados para os artistas. A música começa, as luzes se acendem, dezenas de dançarinos se movimentam ao mesmo tempo e as câmeras transformam esses movimentos em uma sequência de imagens marcantes.

Mas, antes de tudo isso chegar ao público, é preciso tomar inúmeras decisões.

Que movimentos serão utilizados? Onde cada dançarino deve estar? Em que momento da música a coreografia deve atingir seu ponto máximo? O que a câmera deve mostrar? Como fazer com que dezenas ou até centenas de pessoas pareçam formar um único organismo?

Alguém precisa pensar no conjunto.

É justamente esse território que 〈Street World Fighter: Directors War〉 coloca no centro da competição.

Em vez de perguntar apenas “quem dança melhor?”, o programa propõe uma questão diferente: quem consegue criar a melhor obra?

Os participantes precisam assumir a responsabilidade pelo resultado final, trabalhando com coreografia, formação, deslocamento, utilização do espaço e construção da performance.

NaIn
Na1N

01. Na1N — Do street dance aos palcos globais do K-pop

Na1N (Jo Na-in) começou a ganhar reconhecimento público ainda muito jovem.

Seu primeiro grande momento veio com o programa da Mnet 〈Street Dance Girls Fighter〉, no qual participou como líder da crew TURNS, que terminou como vencedora da competição.

Sua carreira, porém, não ficou restrita aos programas de sobrevivência.

Na1N passou a ampliar sua atuação para o mercado de performances de K-pop e também participou de projetos voltados ao público internacional. Entre seus trabalhos mais recentes está a coreografia de “Golden”, música da animação da Netflix 〈KPop Demon Hunters〉, que levou seu nome para além do circuito tradicional da dança coreana.

Agora, ela retorna ao universo Street, mas em uma posição diferente. Desta vez, não está competindo como integrante de uma crew. Seu próprio nome está no centro da obra.

A competição representa, portanto, uma oportunidade para mostrar o quanto sua linguagem evoluiu desde a vitória em Street Dance Girls Fighter.

Renan
Renan

02. Renan — Do Japão ao centro do K-pop

Entre os participantes, Renan possui uma das trajetórias mais internacionais.

O coreógrafo japonês construiu seu espaço dentro do mercado de K-pop trabalhando em projetos de diferentes artistas. Entre os trabalhos associados ao seu nome estão “Armageddon” e “Whiplash”, do aespa, além de trabalhos relacionados a XG e ILLIT.

Ele também participou da direção de performances da turnê do aespa SYNK : PARALLEL LINE.

“Armageddon” é particularmente interessante para compreender sua abordagem. A coreografia utiliza movimentos precisos para transformar a estrutura e a atmosfera da música em uma linguagem visual.

No programa, Renan destaca justamente a atenção aos pequenos detalhes como uma de suas principais forças.

Em uma indústria em que cada movimento pode ser transformado em um conteúdo independente nas redes sociais, essa precisão se torna ainda mais importante.

Bada
Bada

03. Bada — De “Smoke” a uma nova geração de performances

Bada Lee é atualmente uma das coreógrafas mais reconhecidas pelo grande público na Coreia do Sul.

Ela ganhou enorme popularidade como líder da crew BEBE, vencedora da segunda temporada de 〈Street Woman Fighter〉.

A coreografia de “Smoke” tornou-se um dos exemplos mais conhecidos de como um movimento criado dentro de um programa de dança pode ultrapassar a televisão e se transformar em fenômeno cultural.

Mas a carreira de Bada já estava ligada ao K-pop antes disso.

Ela participou de trabalhos para artistas como aespa, NCT DREAM, NCT 127, Kai e THE BOYZ, entre outros.

Essa experiência faz dela uma espécie de ponte entre dois universos: a cultura do street dance e o sistema profissional de performances do K-pop.

Agora, Bada deixa temporariamente de lado a posição de líder da BEBE para assumir a responsabilidade individual por uma obra.

Baek Koo-young
Baek Koo-young

04. Baek Koo-young — Um dos nomes ligados à estrutura do K-pop

Baek Koo-young é um dos participantes com uma trajetória mais longa dentro do sistema de performances de K-pop.

O coreógrafo trabalhou durante anos com artistas e grupos de idol, incluindo EXO, e também desenvolveu atividades ligadas à 1MILLION, uma das principais marcas de dança da Coreia.

Ele também se tornou conhecido por uma nova geração de fãs através de sua participação em 〈Boys Planet〉, onde atuou como instrutor de dança.

Sua experiência é particularmente importante porque existe uma grande diferença entre criar uma coreografia para um dançarino e construir uma performance para um grupo de idols.

No segundo caso, é preciso pensar em posições, distribuição dos movimentos, identidade individual de cada integrante e, ao mesmo tempo, na imagem coletiva do grupo.

É justamente esse tipo de experiência que Baek Koo-young leva para a competição.

Babyzoo
Babyzoo

05. Babyzoo — Do waacking às performances de K-pop

Babyzoo possui uma trajetória diferente da maioria dos participantes.

Sua principal base é o waacking, estilo de dança marcado especialmente pelos movimentos rápidos e expressivos dos braços.

Antes de ampliar sua atuação para o K-pop, Babyzoo construiu uma carreira sólida no circuito de batalhas de dança. O dançarino acumula 26 vitórias em competições internacionais de waacking, segundo o material de divulgação do programa.

Nos últimos anos, porém, sua atuação também passou a incluir performances de K-pop.

Entre os trabalhos associados ao seu nome está “FAMOUS”, do ALLDAY PROJECT. Ele também já falou sobre sua experiência trabalhando com BLACKPINK em “Sour Candy”.

Sua experiência mostra como linguagens originalmente desenvolvidas dentro da cultura street podem ser incorporadas à estética altamente produzida do K-pop.

Simeez
Simeez

06. Simeez — Da LACHICA às grandes performances femininas

Simeez (Simeez, Shim Hee-jung) nasceu em 4 de abril de 1996 e possui uma carreira diretamente ligada ao desenvolvimento das performances femininas no K-pop.

Ela é integrante da crew LACHICA, que ganhou grande visibilidade através de 〈Street Woman Fighter〉.

A LACHICA construiu uma relação particularmente forte com a indústria do K-pop, trabalhando com artistas como Chungha e participando de diversos projetos de coreografia e performance.

Simeez também tem no heel choreography uma de suas principais linguagens.

Atualmente, sua carreira está ligada a diferentes projetos de K-pop e ela também ganhou destaque como diretora de performance do IVE.

No primeiro episódio de Directors War, Simeez apresentou “BANG BANG”, do IVE, como uma de suas coreografias representativas e enfrentou Renan.

Se antes ela competia como integrante de uma equipe, agora precisa provar sua capacidade de construir uma obra individual.

Ingyu
Ingyu

07. Ingyu — Conectando performance de idol e cultura dos challenges

Ingyu ficou conhecido inicialmente através da crew WE DEM BOYZ e da participação em 〈Street Man Fighter〉.

Depois disso, continuou trabalhando no universo das performances de K-pop, especialmente com grupos masculinos.

Seu nome também aparece relacionado a trabalhos como “like JENNIE”, de Jennie, uma coreografia que ganhou enorme alcance através das redes sociais e dos challenges.

Essa experiência é especialmente relevante no atual ambiente digital.

Uma coreografia de K-pop não termina mais quando a apresentação acaba. Um movimento pode ser recortado em poucos segundos, publicado no TikTok ou Instagram e reproduzido milhões de vezes por pessoas que nunca viram a apresentação original.

Ingyu resume sua mudança de perspectiva ao explicar que, enquanto antes pensava principalmente em “que dança mostrar”, agora também pensa em “por que essa cena precisa existir”.

Essa diferença ajuda a explicar a transformação de coreógrafo em diretor.

Jung Min-zun
Jung Min-jun

08. Jung Min-jun — Uma nova geração formada pelas competições internacionais

Jung Min-jun representa uma geração mais nova de profissionais que construíram sua reputação também fora da Coreia.

Ele lidera o grupo The Stories e ganhou reconhecimento internacional ao se tornar o primeiro coreógrafo ou equipe coreana a conquistar duas vitórias no VIBE Dance Competition.

Seu conceito de direção parte da relação entre a obra e quem a observa.

Jung Min-jun descreve sua função como uma maneira de reduzir, através da empatia, a distância entre o diretor e o público.

Essa abordagem é particularmente importante no K-pop.

Uma coreografia pode ser tecnicamente extremamente complexa, mas se o público não conseguir compreender sua energia ou seu significado, parte do impacto desaparece.

Por outro lado, um movimento relativamente simples pode se tornar memorável quando consegue estabelecer uma conexão imediata com quem assiste.

Kasper
Kasper

09. Kasper — Do palco do K-pop aos grandes festivais internacionais

Kasper possui uma longa experiência trabalhando com artistas como SHINee e Taemin.

Entre seus projetos mais importantes está a direção da performance de Taemin no Coachella, um dos maiores festivais de música do mundo.

A apresentação exigia mais do que simplesmente transportar para os Estados Unidos uma performance criada para o mercado coreano.

Em um festival dessa dimensão, o palco precisa funcionar para um público muito mais amplo e, ao mesmo tempo, preservar a identidade do artista.

Essa experiência coloca Kasper em uma posição interessante dentro de Directors War: ele já precisou pensar na performance de K-pop dentro de um palco global.

O próprio diretor descreve sua força como uma espécie de perfil “hexagonal”, fazendo referência à capacidade de atuar em diferentes áreas da performance.

Hash
Hash

10. Hash(Haesh) — Transformando centenas de pessoas em uma única imagem

Hash talvez seja um dos nomes menos conhecidos pelo grande público entre os dez participantes.

Sua experiência, porém, está diretamente relacionada a um dos aspectos mais difíceis da direção de performances: trabalhar com grandes grupos de dançarinos.

Ele participou do programa America's Got Talent e desenvolveu experiência em performances de grande escala.

A produção de Directors War o apresenta como um especialista em mega performances.

Sua principal força está em identificar o potencial de cada dançarino e utilizá-lo dentro de uma composição maior.

Quando dezenas ou centenas de pessoas estão no mesmo palco, não basta fazer com que todas executem exatamente os mesmos movimentos.

É necessário compreender quem possui determinada força, onde essa pessoa deve aparecer e como suas características individuais podem contribuir para a imagem coletiva.

Hash trabalha justamente nesse espaço entre o indivíduo e o grupo 'Come here'.

As diferenças entre os dez também contam a história do K-pop

Quando colocamos os dez diretores lado a lado, uma característica chama a atenção: não existe um único caminho para chegar ao centro da indústria de performances do K-pop.

Na1N, Simeez, Ingyu e Bada ganharam visibilidade através da franquia Street. Baek Koo-young construiu uma longa carreira dentro do próprio sistema de performances de idols.

Renan chegou do Japão e encontrou espaço dentro do mercado coreano. Babyzoo trouxe a experiência das batalhas de waacking. Jung Min-jun construiu sua reputação através de competições internacionais.

Kasper ampliou sua experiência dos palcos de K-pop para grandes festivais internacionais, enquanto Hash desenvolveu sua especialidade em performances de grande escala.

São trajetórias diferentes que acabam chegando ao mesmo ponto: a necessidade de transformar movimento em uma obra completa.

Fonte: CJ ENM
Fonte: CJ ENM

Afinal, qual é a diferença entre um coreógrafo e um diretor?

Essa é talvez a principal pergunta para compreender Street World Fighter: Directors War.

O coreógrafo cria os movimentos.

O diretor decide por que esses movimentos existem e como eles devem funcionar dentro do conjunto.

Ele precisa pensar na música, no espaço, na formação dos dançarinos, na distribuição dos momentos de destaque, na relação com as câmeras e na narrativa visual da apresentação.

Por isso, uma boa direção não depende necessariamente de uma sequência de movimentos extremamente complexos.

Às vezes, a decisão mais importante é saber quando não colocar um movimento.

A primeira missão do programa deixa essa diferença evidente. Os dez diretores foram divididos em confrontos individuais e precisaram recriar as coreografias representativas uns dos outros. Entre os primeiros confrontos estiveram Simeez contra Renan, Baek Koo-young contra Kasper, Jung Min-jun contra Hash, Babyzoo contra Na1N e Bada contra Ingyu.

O objetivo não era apenas executar os movimentos do adversário, mas reinterpretá-los.

Quando a performance se transforma em indústria

Quando falamos sobre o sucesso global do K-pop, geralmente pensamos primeiro nas músicas, nos artistas e nas grandes empresas de entretenimento.

Mas existe outro elemento que ajudou a transformar o K-pop em uma cultura visual global: a performance.

“Next Level”, “Smoke”, “Armageddon”, “Whiplash” e “like JENNIE” são exemplos de músicas que também ficaram associadas a movimentos específicos.

As plataformas de vídeos curtos aceleraram ainda mais esse fenômeno.

Hoje, uma pessoa pode não conhecer a música inteira, mas reconhecer imediatamente alguns segundos de sua coreografia. O público também pode reproduzir esses movimentos e, ao fazê-lo, transformar a própria dança em uma nova forma de consumo musical.

Nesse processo, o coreógrafo deixa de ser apenas um profissional que trabalha nos bastidores.

Seu estilo pode se tornar reconhecível.

Seu nome pode ser associado a determinadas performances.

E sua linguagem pode se transformar em uma marca.

〈Street World Fighter: Directors War〉 coloca justamente essa transformação no centro da televisão.

Mais do que uma competição entre dançarinos, é uma competição entre pessoas que precisam provar que conseguem pensar, construir e dirigir uma performance inteira.

CLOUD INSIGHT

Quando assistimos a uma performance de K-pop, normalmente lembramos do artista que está no centro do palco. *Directors War* desloca esse olhar para quem está por trás da cena.

Os dez participantes mostram que uma performance não nasce apenas de uma boa coreografia. Ela depende de decisões sobre espaço, ritmo, imagem e pessoas.

Nesse sentido, a competição representa uma mudança interessante na própria indústria: os profissionais que antes trabalhavam nos bastidores começam a ser reconhecidos também como autores.

E talvez seja justamente aí que esteja uma das próximas transformações do K-pop: quando a coreografia deixa de ser apenas parte da música e passa a ser reconhecida como uma linguagem criativa própria.

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