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KQ Entertainment: como uma empresa fora do “Big Four” criou um fenômeno global com o ATEEZ

Depois de explorar as quatro grandes empresas que moldaram o K-pop moderno — SM Entertainment, JYP Entertainment, YG Entertainment e HYBE —, a Revista Cloud começa agora a olhar para além desse chamado “Big Four”. Porque a história do K-pop também está sendo escrita por pequenas e médias empresas que, mesmo sem os mesmos recursos das gigantes do setor, encontraram seus próprios caminhos para chegar ao mundo. A trajetória da KQ Entertainment e do ATEEZ é uma dessas histórias.

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KQ Entertainment: como uma empresa fora do “Big Four” criou um fenômeno global com o ATEEZ
Redação da Revista Cloud

Redação da Revista Cloud

Publicado
10 ago 2026
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13 Min
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Antes de chegar ao topo da Billboard, ao Coachella e aos grandes palcos internacionais, o ATEEZ precisou construir seu próprio caminho — e a história da KQ Entertainment ajuda a entender por que esse caminho funcionou.

No K-pop, existe uma ideia bastante difundida de que o tamanho da empresa determina as possibilidades de um artista.

As quatro grandes companhias — SM Entertainment, JYP Entertainment, YG Entertainment e HYBE — construíram boa parte da indústria moderna e continuam concentrando alguns dos maiores nomes do gênero. Para um grupo que estreia fora desse circuito, conquistar espaço internacional pode parecer uma tarefa ainda mais difícil.

Foi justamente nesse cenário que surgiu uma das histórias mais interessantes da geração atual do K-pop.

A KQ Entertainment não começou com a mesma estrutura das maiores empresas do setor. Mesmo assim, conseguiu construir com o ATEEZ um grupo que hoje possui uma das bases de fãs internacionais mais fortes da indústria, já se apresentou no Coachella e alcançou o primeiro lugar da Billboard 200 diversas vezes. Em julho de 2026, o grupo chegou pela terceira vez ao topo da principal parada de álbuns dos Estados Unidos.

A trajetória da KQ e do ATEEZ mostra que, em uma indústria dominada por grandes empresas, ainda existe espaço para crescer por outro caminho.


Antes do ATEEZ, existia uma história que pouca gente conhecia

A KQ Entertainment surgiu em 2016, mas sua história não começou exatamente naquele momento.

A empresa possui raízes ligadas à Seven Seasons, selo criado para administrar o grupo Block B. Essa experiência deu à companhia um primeiro contato com a produção e o gerenciamento de artistas, antes que ela começasse a construir seu próprio projeto de idol group.

o grupo Block B
O grupo Block B

Foi nesse ambiente que a KQ começou a desenvolver uma estratégia diferente.

Em vez de tentar competir imediatamente com as grandes agências em quantidade de artistas, a empresa passou a concentrar seus esforços na construção de um grupo que pudesse desenvolver uma identidade própria.

Esse projeto acabaria recebendo o nome de ATEEZ.

Mas, antes mesmo de existir oficialmente, o grupo começou a ser construído de uma maneira que revelava a filosofia da empresa.

Kim Kyu-ook, President de KQ Entertainment
Kim Kyu-ook, President de KQ Entertainment

Uma carta de um garoto de 17 anos

Uma das histórias mais curiosas da trajetória do ATEEZ aconteceu antes mesmo de Hongjoong se tornar conhecido como líder do grupo.

Segundo uma reportagem da Billboard Brasil, durante uma mudança de sede da KQ Entertainment, funcionários encontraram uma carta que havia sido enviada anteriormente por um garoto de apenas 17 anos.

Era Hongjoong.

Ele escrevia que compunha músicas e procurava uma oportunidade para trabalhar com a empresa responsável por um de seus grupos favoritos, o Block B. Junto à carta, havia uma mixtape com suas próprias criações.

Hongjoong
Hongjoong

A empresa decidiu contratá-lo.

Anos depois, aquele jovem se tornaria o líder do ATEEZ e uma das figuras mais importantes da identidade criativa do grupo.

A história é interessante não apenas por ser uma boa narrativa de origem.

Ela revela algo importante sobre o tipo de artista que a KQ estava procurando.

A empresa não precisava simplesmente encontrar jovens que pudessem executar perfeitamente uma coreografia.

Precisava encontrar pessoas capazes de participar da construção artística do próprio grupo.


KQ Fellaz: antes do debut, era preciso construir uma identidade

Antes do ATEEZ estrear oficialmente, a KQ apresentou ao público o projeto KQ Fellaz.

O nome funcionava como uma espécie de identidade para os trainees que estavam sendo preparados pela empresa.

O objetivo não era simplesmente mostrar futuros idols. Era permitir que o público acompanhasse parte do processo de formação e, ao mesmo tempo, começasse a reconhecer aqueles jovens como artistas.

Esse período foi importante para o desenvolvimento do que posteriormente se tornaria uma das maiores características do ATEEZ: sua relação com a performance.

A dança não seria apenas uma parte do espetáculo.

Ela se tornaria uma das principais ferramentas de comunicação do grupo.

ATEEZ(KQ Fellaz) de 2018

2018: oito integrantes entram em cena

Em 2018, o ATEEZ estreou oficialmente com oito integrantes: Hongjoong, Seonghwa, Yunho, Yeosang, San, Mingi, Wooyoung e Jongho.

O primeiro lançamento foi o EP TREASURE EP.1: All to Zero.

Naquele momento, o grupo ainda estava muito longe do tamanho que alcançaria alguns anos depois.

Não havia uma enorme base doméstica esperando pelo debut.

Não existia a força de marketing de uma das quatro maiores empresas.

E o ATEEZ precisaria encontrar seu público em um mercado que lançava dezenas de novos grupos todos os anos.

A resposta veio principalmente através daquilo que o grupo fazia no palco.

Performances intensas, coreografias complexas e uma identidade visual bastante marcada começaram a chamar a atenção dos fãs internacionais.

O resultado apareceu rapidamente.

Apenas cerca de um ano depois do debut, o grupo já realizava sua primeira turnê mundial, passando por 15 cidades e reunindo aproximadamente 100 mil pessoas.

Para um grupo tão jovem, vindo de uma empresa fora do circuito das gigantes do K-pop, era um sinal importante.

O público estava encontrando o ATEEZ antes mesmo que o mercado coreano tivesse completamente percebido seu potencial.

Quando os fãs ajudaram a desenhar o caminho

Existe uma característica particularmente interessante na expansão internacional do ATEEZ.

Parte dessa expansão aconteceu porque os próprios fãs demonstraram interesse em receber o grupo em suas cidades.

Plataformas de demanda para shows, como a MyMusicTaste, permitiam que fãs demonstrassem interesse em determinadas localidades. Esse tipo de mecanismo ajudou a identificar onde existia público disposto a receber o ATEEZ e reduziu parte do risco de organizar uma turnê internacional para um grupo ainda jovem.

Foi uma relação que acabaria se tornando fundamental.

Em vez de simplesmente esperar que o mercado internacional descobrisse o grupo, o ATEEZ começou a responder aos lugares onde sua comunidade estava crescendo.

Essa estratégia combinava perfeitamente com a realidade de uma empresa menor.

Quando não existe orçamento para estar em todos os lugares, é necessário descobrir primeiro onde o público realmente está.

E os fãs ajudaram a mostrar esse caminho.


A força do palco se transforma em fandom

O crescimento do ATEEZ não aconteceu apenas por causa de uma música viral.

Esse é talvez um dos aspectos mais interessantes da trajetória do grupo.

Desde o começo, os integrantes enfatizaram a importância das apresentações ao vivo. Em entrevista ao The Korea Times, Hongjoong afirmou que o grupo havia colocado a performance no centro de seu trabalho desde os primeiros momentos da carreira.

Isso criou uma relação bastante particular com os fãs.

Quem descobria o grupo através de um videoclipe podia encontrar apresentações ao vivo, performances de dança e conteúdos que reforçavam ainda mais a personalidade dos integrantes.

O ATEEZ começou a construir uma comunidade que não dependia exclusivamente de alcançar o grande público.

Era uma comunidade profundamente envolvida com o grupo.

E essa diferença seria fundamental para a expansão internacional.


ATEEZ e a descoberta do mercado internacional

Enquanto o K-pop começava a se tornar cada vez mais global, o ATEEZ encontrou um espaço próprio dentro dessa expansão.

A música e a performance do grupo dialogavam especialmente bem com públicos que valorizavam apresentações intensas e uma identidade visual mais dramática.

Em pouco tempo, o grupo passou a realizar turnês cada vez maiores.

Em 2022, duas turnês mundiais reuniram aproximadamente 430 mil fãs em diferentes países, segundo o The Korea Times.

Esse crescimento começou a alterar a posição do grupo dentro da indústria.

O ATEEZ já não era apenas uma promessa de uma empresa relativamente pequena.

Era uma atração internacional capaz de movimentar dezenas de milhares de pessoas.


E então veio o Brasil

Para os leitores brasileiros da Revista Cloud, existe um capítulo particularmente importante nessa história.

Em 2023, o ATEEZ chegou ao Brasil.

O grupo realizou um show no Allianz Parque, em São Paulo, reunindo mais de 30 mil fãs.

A apresentação mostrou que a relação do grupo com o público latino-americano não era apenas uma extensão automática do sucesso asiático.

Existia uma comunidade brasileira própria, que havia acompanhado o grupo durante anos e estava preparada para recebê-lo em um dos maiores palcos do país.

Para uma empresa que começou distante do poder econômico das gigantes do entretenimento coreano, ver seu grupo reunindo dezenas de milhares de pessoas no Brasil representava algo muito maior do que simplesmente vender ingressos.

Era a confirmação de que a estratégia de construir uma comunidade global estava funcionando.

ATEEZ World Tour no São Paulo de 2023
ATEEZ World Tour no São Paulo de 2023

ATEEZ World Tour no São Paulo de 2023
ATEEZ World Tour no São Paulo de 2023

Do Allianz Parque ao Coachella

Poucos meses depois da passagem pelo Brasil, o ATEEZ alcançou outro marco histórico.

Em 2024, tornou-se o primeiro boy group de K-pop a integrar o lineup do Coachella.

O festival norte-americano possui uma importância que vai além do tamanho de seu público.

Estar no Coachella significa entrar em um espaço onde artistas de diferentes gêneros e nacionalidades são apresentados ao mesmo público.

Para o ATEEZ, aquele palco representava uma mudança de escala.

O grupo que havia começado em uma empresa distante do chamado Big Four agora estava sendo apresentado em um dos festivais mais importantes da música mundial.

E não como uma curiosidade.

Como uma atração internacional.

ATEEZ na Coachella de 2024
ATEEZ na Coachella de 2024

A Billboard 200 muda a conversa

A expansão internacional também começou a aparecer nos números.

Em dezembro de 2023, THE WORLD EP.FIN : WILL levou o ATEEZ pela primeira vez ao topo da Billboard 200.

Em novembro de 2024, GOLDEN HOUR : Part.2 repetiu o feito.

Naquele momento, o ATEEZ entrou para um grupo extremamente seleto de artistas de K-pop que conseguiram colocar mais de um álbum no primeiro lugar da parada americana, ao lado de BTS e Stray Kids.

Mas a história não terminou ali.

Em julho de 2026, GOLDEN HOUR : Part.5 alcançou novamente o número 1.

Foi a terceira vez que o grupo chegou ao topo da Billboard 200.

O álbum estreou com 228 mil unidades equivalentes nos Estados Unidos, sendo 223 mil provenientes de vendas puras de álbuns. Com isso, o ATEEZ chegou a nove álbuns no Top 10 da Billboard 200 desde sua primeira entrada na parada, em 2022.

O que começou como um projeto de uma empresa fora do Big Four havia se transformado em uma das forças mais consistentes do K-pop no mercado internacional.


ATTEZ - GOLDEN HOUR : Part.5
ATTEZ - GOLDEN HOUR : Part.5

KQ não tentou transformar o ATEEZ em outro grupo

Talvez essa seja a parte mais importante da história.

A KQ não precisava fazer o ATEEZ parecer com BTS, EXO, BIGBANG ou qualquer outro grupo que já havia alcançado sucesso.

O grupo precisava descobrir aquilo que poderia fazer melhor do que os outros.

A resposta foi encontrada na combinação entre performance, identidade visual, narrativa e relacionamento com os fãs.

Essa identidade também permitiu que os integrantes participassem de maneira cada vez mais ativa de sua própria carreira.

Hongjoong, por exemplo, não é apenas o líder do grupo. Sua trajetória como compositor começou antes mesmo do debut e faz parte da própria história de como o ATEEZ foi formado.

Essa participação criativa ajudou a transformar o grupo em algo mais próximo de uma identidade artística do que simplesmente um produto de uma empresa.

ATEEZ - HALAZIA M/V

E a KQ não parou no ATEEZ

O sucesso do ATEEZ mudou completamente a escala da KQ Entertainment.

Mas a empresa também começou a preparar sua próxima geração.

O xikers representa essa tentativa de construir um novo grupo dentro da estrutura criada pela KQ.

Assim como aconteceu com o ATEEZ, a empresa busca desenvolver uma identidade própria para seus novos artistas, agora em um mercado internacional muito mais preparado para receber grupos coreanos.

A diferença é que, quando o xikers estreou, a KQ já não era a mesma empresa de 2018.

O ATEEZ havia aberto portas.

Existia uma experiência internacional acumulada, uma base de fãs e uma estrutura muito maior para desenvolver novos projetos.

Esse é um dos efeitos mais importantes que um grupo de sucesso pode produzir dentro de uma empresa.

Ele não apenas gera dinheiro.

Ele cria infraestrutura para a próxima geração.

ATEEZ - BAD M/V

O que a história da KQ ensina sobre o K-pop?

A trajetória da KQ Entertainment não significa que o tamanho de uma empresa deixou de ser importante.

Recursos financeiros, distribuição, marketing e infraestrutura continuam sendo fundamentais para o sucesso de qualquer artista.

Mas a história do ATEEZ mostra que eles não são os únicos fatores capazes de determinar uma carreira.

Uma empresa menor pode encontrar outros caminhos.

Pode ouvir sua comunidade.

Pode identificar mercados onde existe demanda.

Pode construir uma identidade suficientemente forte para que os próprios fãs se tornem parte do crescimento do artista.

E pode transformar um grupo que inicialmente parecia pequeno em uma marca internacional.

O ATEEZ não conquistou o mundo de uma vez.

Foi uma construção gradual.

Primeiro vieram os fãs que descobriram o grupo.

Depois, as primeiras turnês.

Em seguida, arenas maiores.

O Brasil.

O Coachella.

A Billboard.

E, finalmente, uma sequência de resultados que colocou o grupo entre os nomes mais importantes da indústria global.


Cloud Insight ☁

A história da KQ Entertainment talvez seja uma das melhores maneiras de entender como o K-pop mudou nos últimos dez anos.

Durante muito tempo, parecia que o caminho para o sucesso internacional dependia principalmente de entrar em uma das maiores empresas da Coreia.

O ATEEZ ajudou a mostrar que existe outro caminho.

Não necessariamente mais fácil, mas diferente.

A KQ construiu um grupo que encontrou primeiro uma comunidade e depois transformou essa comunidade em uma força internacional.

Para o público brasileiro, essa história tem ainda um significado especial.

O Brasil não apareceu no final da trajetória do ATEEZ, quando o grupo já era uma estrela mundial. Os fãs brasileiros fizeram parte do processo de crescimento e receberam o grupo antes de alguns dos maiores marcos de sua carreira.

É justamente isso que torna a história interessante.

O K-pop global não é construído apenas nos grandes escritórios de Seul ou nos maiores palcos dos Estados Unidos.

Ele também é construído em São Paulo, Paris, Los Angeles, Cidade do México e em milhares de quartos onde fãs descobrem uma música, aprendem uma coreografia e começam a acompanhar um grupo que ainda não é conhecido pelo grande público.

A KQ Entertainment encontrou uma maneira de transformar esse interesse em uma carreira global.

E o ATEEZ mostrou que, no K-pop, uma empresa não precisa começar grande para pensar grande.


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