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Grammys reconsidera a nova categoria “Best Asian Pop Music Performance”

Apenas dois meses após sua criação, a Recording Academy voltou a discutir o formato da premiação em meio às críticas de artistas asiáticos e à decisão do BTS de não participar da disputa de 2027

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Grammys reconsidera a nova categoria “Best Asian Pop Music Performance”
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Publicado
16 ago 2026
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A nova categoria foi criada para reconhecer o crescimento da música pop asiática, incluindo K-pop, J-pop e C-pop. No entanto, a decisão de separar essas produções por região e idioma provocou questionamentos sobre se a iniciativa representa uma forma de reconhecimento ou uma nova maneira de criar fronteiras dentro da música global.

A Recording Academy, responsável pelo Grammy Awards, voltou a discutir o futuro da recém-criada categoria “Best Asian Pop Music Performance”. A revisão acontece poucas semanas depois de o BTS anunciar que não apresentará nenhuma música para concorrer ao Grammy de 2027.

O CEO da Recording Academy, Harvey Mason Jr., afirmou que a organização está conversando com integrantes da comunidade musical asiática e levando em consideração as críticas apresentadas por artistas que sentem que a nova categoria não representa adequadamente a música que produzem.

Isso não significa, neste momento, que a categoria será necessariamente eliminada ou que seu nome será alterado. O que existe é uma discussão sobre seu formato, seus critérios e a maneira como a música pop asiática deve ser reconhecida dentro do Grammy.


Uma categoria criada apenas recentemente

A Best Asian Pop Music Performance foi anunciada em junho como uma das novas categorias do Grammy para a cerimônia de 2027.

Segundo a definição apresentada pela Recording Academy, o prêmio foi criado para reconhecer a excelência artística em performances de música pop originadas ou amplamente reconhecidas nos mercados asiáticos. A categoria inclui, entre outros exemplos, K-pop, J-pop e C-pop, além de exigir o uso significativo de pelo menos um idioma asiático.

A criação da categoria refletia uma transformação que já vinha acontecendo há anos na indústria musical.

A música asiática deixou de ser um fenômeno predominantemente regional. K-pop, J-pop e C-pop passaram a ocupar espaços importantes em plataformas de streaming, paradas internacionais, festivais e grandes arenas fora de seus mercados de origem.

Para a Recording Academy, criar uma categoria específica poderia representar justamente uma maneira de reconhecer essa expansão.

Mas foi justamente essa separação que provocou o debate.


Reconhecimento ou uma nova fronteira?

A questão central passou a ser relativamente simples:

Se a música asiática já faz parte da música global, ainda é necessário separá-la em uma categoria definida por região e idioma?

K-pop, J-pop e C-pop compartilham o fato de terem fortes conexões com mercados asiáticos, mas possuem histórias, estruturas industriais e características musicais diferentes.

Ao mesmo tempo, a própria definição de K-pop se tornou muito mais complexa.

Atualmente, artistas coreanos trabalham com produtores americanos e europeus, gravam músicas em diferentes idiomas e desenvolvem projetos pensando simultaneamente em diversos mercados. Algumas produções são concebidas desde o início para um público global.

Nesse contexto, determinar exatamente onde termina uma música “asiática” e começa uma música “global” tornou-se cada vez mais difícil.


A decisão do BTS

O debate ganhou uma dimensão muito maior em 29 de julho, quando o BTS anunciou que não enviaria músicas para consideração no Grammy de 2027.

Foi a primeira vez que o grupo decidiu não participar do processo de candidatura da premiação.

Ao explicar a decisão, os integrantes afirmaram que esperam que a música possa ser ouvida e apreciada pelo que é, em vez de ser dividida por região ou idioma.

A declaração foi interpretada como uma crítica direta à nova categoria, embora seja importante separar a posição do grupo das decisões posteriores da Recording Academy.

A organização já havia defendido a criação da categoria e argumentado que concorrer em uma categoria específica de gênero não impede um artista de também disputar as principais categorias do Grammy, como Album of the Year, Record of the Year, Song of the Year e Best New Artist.

Mas a discussão levantada por artistas e fãs vai além da possibilidade de concorrer simultaneamente em diferentes áreas.


O problema da linguagem

Um dos pontos mais discutidos está justamente nos critérios estabelecidos para a nova categoria.

A exigência de uso significativo de um ou mais idiomas asiáticos cria uma situação particularmente interessante para artistas que já trabalham em um mercado global.

O próprio BTS oferece um exemplo disso.

Algumas das músicas mais importantes de seu retorno com “ARIRANG” foram gravadas integralmente em inglês. Embora o grupo seja um dos maiores representantes da música pop coreana no mundo, essas produções não se encaixariam necessariamente nos critérios linguísticos da nova categoria.

Isso mostra como uma classificação aparentemente simples pode se tornar complicada quando aplicada à realidade atual da indústria.

Um artista pode ser coreano, trabalhar em Seul, ter construído sua carreira dentro do K-pop e, ainda assim, produzir uma música que não se encaixa perfeitamente na definição linguística estabelecida para “Asian Pop”.


A intenção original era outra

É importante lembrar que a criação da categoria não foi apresentada pela Recording Academy como uma tentativa de limitar artistas asiáticos.

Pelo contrário.

A organização afirmou que a intenção era reconhecer a diversidade, a dimensão e o crescimento extraordinário da música pop produzida na Ásia.

A criação de uma categoria específica também pode ser entendida como uma forma de dar maior visibilidade a artistas que historicamente tiveram menos espaço dentro das principais categorias do Grammy.

Durante décadas, a indústria musical americana foi o principal centro de reconhecimento internacional. Hoje, porém, essa estrutura já não corresponde completamente à realidade do mercado.

O crescimento do K-pop é apenas um dos exemplos mais evidentes dessa mudança.


O Grammy agora precisa rever sua própria classificação

A discussão, portanto, não se resume à existência de um novo troféu.

Ela toca em uma questão maior sobre como uma premiação global deve classificar uma indústria musical que também se tornou global.

No passado, definir a origem de uma música era relativamente simples. Um artista vinha de determinado país, cantava em determinado idioma e trabalhava principalmente para aquele mercado.

Hoje, um grupo pode ter integrantes de diferentes países, produtores espalhados pelo mundo, músicas em vários idiomas e uma estratégia comercial que não pertence exclusivamente a nenhum território.

O K-pop é particularmente representativo dessa transformação.

Sua origem está claramente ligada à Coreia do Sul, mas sua produção e seu consumo já ultrapassaram as fronteiras do país há muito tempo.


O que pode mudar?

Até o momento, a Recording Academy não apresentou um novo formato definitivo.

Ainda não está confirmado se o nome “Best Asian Pop Music Performance” será mantido, se os critérios serão modificados ou se a categoria poderá assumir uma estrutura completamente diferente.

A organização está discutindo essas questões com integrantes da comunidade musical asiática e avaliando as críticas recebidas.

O debate também acontece pouco antes de uma etapa importante do processo de inscrição para o Grammy de 2027, o que torna o calendário ainda mais relevante.

Por isso, qualquer alteração na categoria poderá ter consequências imediatas para os artistas que pretendem participar da próxima edição.


O K-pop fez o Grammy fazer uma pergunta diferente

Talvez o aspecto mais interessante dessa discussão seja justamente o fato de que o crescimento do K-pop ajudou a criar um problema que o próprio Grammy agora precisa resolver.

Quando o K-pop ainda era visto principalmente como música estrangeira, classificá-lo como música coreana parecia suficiente.

Hoje, essa definição já não explica completamente o que o K-pop se tornou.

Artistas coreanos trabalham com músicos de diferentes partes do mundo, lançam músicas em inglês e coreano, participam de grandes festivais internacionais e constroem comunidades de fãs que não estão limitadas a uma região.

A música deixou de seguir fronteiras geográficas tão claramente quanto antes.

E talvez seja justamente por isso que a discussão sobre o Best Asian Pop Music Performance seja maior do que uma simples mudança nas categorias do Grammy.

A questão agora é saber como uma das maiores premiações musicais do mundo irá reconhecer uma música que já não cabe facilmente dentro das fronteiras que costumavam defini-la.

CLOUD INSIGHT

A discussão não é apenas sobre reconhecer ou não a música asiática. É sobre como uma premiação global pode classificar uma música que já ultrapassou suas próprias fronteiras.

O Grammy criou uma categoria para reconhecer o crescimento da música asiática. Agora, diante das críticas, precisa decidir se essa divisão representa uma nova forma de reconhecimento ou se simplesmente cria mais uma fronteira dentro de uma indústria que já se tornou global.

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