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7 filmes para conhecer a história do movimento de independência da Coreia

O cinema também é uma forma de registrar a história. Por ocasião do Dia da Libertação Nacional da Coreia, celebrado em 15 de agosto, os filmes sul-coreanos que retratam o período do domínio colonial japonês e o movimento de independência revisitam, através de diferentes épocas e personagens, o período em que a Península Coreana esteve sob domínio colonial. De Assassination a Mal-Mo-E, reunimos sete filmes que ajudam a compreender as diferentes faces da luta pela independência da Coreia.

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7 filmes para conhecer a história do movimento de independência da Coreia
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Publicado
14 ago 2026
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11 Min
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Quando falamos sobre a história moderna da Coreia, existe um período impossível de ignorar: os 36 anos de domínio colonial japonês, entre 1910 e 1945.

Durante esse período, a sociedade coreana passou por profundas transformações em áreas como política, economia, educação e cultura. Ao mesmo tempo, diferentes movimentos surgiram para recuperar a independência. Havia aqueles que escolheram a luta armada, enquanto outros atuavam por meio da diplomacia, da educação, da imprensa ou da preservação cultural.

O cinema sul-coreano voltou diversas vezes a essa história.

Alguns filmes colocaram personagens históricos reais no centro da narrativa. Outros reuniram diferentes experiências do movimento de independência em personagens fictícios. Há obras que utilizam espionagem e ação para representar a tensão daquele período, enquanto outras mostram como a língua e a cultura também se tornaram campos de resistência.

Entre essas produções, selecionamos sete filmes que apresentam diferentes aspectos da história da independência coreana.


01. Assassination — aqueles que escolheram lutar pela independência

Lançado em 2015 e dirigido por Choi Dong-hoon, Assassination é uma das produções que melhor transformaram a história do movimento de independência em um grande filme popular.

A história se passa em 1933 e acompanha um grupo de combatentes da independência que recebe a missão de assassinar colaboradores do governo colonial japonês e um oficial do Exército Imperial Japonês.

Os personagens interpretados por Jun Ji-hyun, Lee Jung-jae e Ha Jung-woo — Ahn Ok-yoon, Yeom Seok-jin e Hawaii Pistol — não são simplesmente reproduções de figuras históricas reais.

O filme, porém, utiliza esses personagens para condensar diferentes aspectos da situação enfrentada pelos ativistas pela independência naquele período.

Um dos elementos mais interessantes da obra é a maneira como ela aborda o período posterior à libertação.

A história sugere que, mesmo depois da derrota do Japão, os conflitos relacionados ao passado não desapareceram automaticamente.

É nesse ponto que Assassination deixa de ser apenas um filme de ação ambientado durante o período colonial.

Por trás dos tiroteios e das perseguições existe uma pergunta muito mais profunda:

a libertação aconteceu, mas o que aconteceu com as pessoas daquele passado?

Assassination (2015)

02. The Age of Shadows — independência, espionagem e traição

Dirigido por Kim Jee-woon, The Age of Shadows se passa no final da década de 1920.

No centro da história estão o policial Lee Jung-chool e a organização de resistência conhecida como Uiyeoldan.

Interpretado por Song Kang-ho, Lee Jung-chool é um coreano que se tornou policial do governo colonial japonês. Já Kim Jang-ok, interpretado por Gong Yoo, pertence ao movimento de resistência e participa dos planos para destruir instalações japonesas.

A maior tensão do filme não está necessariamente nos tiroteios, mas em uma questão muito mais simples:

em quem é possível confiar?

A polícia japonesa tenta localizar os membros da resistência, enquanto os ativistas desconfiam da possibilidade de haver informantes dentro da própria organização.

Lee Jung-chool permanece entre esses dois mundos, dividido entre sua identidade, seu passado e as escolhas que precisa fazer.

O filme utiliza como referência acontecimentos históricos relacionados à Uiyeoldan e ao chamado caso Hwang Ok, mas constrói uma narrativa cinematográfica própria, combinando personagens históricos e ficcionais.

Por isso, a resistência não aparece apenas como uma história de heroísmo.

Ela é apresentada através do medo, da desconfiança, da traição e das escolhas individuais.

The Age of Shadows (2016)

03. Harbin — olhando novamente para Ahn Jung-geun

Dirigido por Woo Min-ho, Harbin foi lançado em 2024 e coloca no centro da narrativa o ativista pela independência Ahn Jung-geun.

O acontecimento histórico fundamental do filme é o atentado realizado por Ahn Jung-geun em 1909, na estação de Harbin, contra Ito Hirobumi, então uma das figuras mais importantes do imperialismo japonês na Coreia.

Mas o filme não se limita ao momento do disparo.

A narrativa acompanha também os movimentos dos ativistas antes do atentado, suas preparações, a perseguição japonesa e o caminho que os leva até Harbin.

Interpretado por Hyun Bin, Ahn Jung-geun aparece não apenas como o personagem histórico que conhecemos hoje, mas como um homem diante de uma decisão que mudaria sua própria vida.

A questão não é apenas o que ele fará.

É também o que essa escolha significará para ele.

Harbin, portanto, deixa de ser apenas uma cidade onde ocorreu um acontecimento histórico.

Torna-se o lugar escolhido para uma ação que pretendia mostrar ao mundo que a Coreia ainda resistia ao domínio japonês.

Harbin (2024)

04. Anarchists — uma outra face do movimento de independência

Lançado em 2000 e dirigido por Yoo Young-sik, Anarchists apresenta uma perspectiva menos conhecida do movimento de independência coreano.

A história se passa em Xangai, na China, durante a década de 1920.

Naquele período, Xangai era um dos principais centros de atividade dos ativistas coreanos pela independência. Pessoas com diferentes ideias políticas e estratégias de resistência se encontravam na cidade.

O filme concentra-se particularmente em ativistas ligados ao anarquismo.

Os personagens compartilham o objetivo de libertar a Coreia, mas possuem diferentes opiniões sobre como isso deveria ser feito.

Essa é uma das características mais interessantes da obra.

O movimento de independência não é apresentado simplesmente como um grupo homogêneo de pessoas lutando contra o Japão.

Existiam diferentes ideologias, estratégias e visões sobre o futuro de uma Coreia independente.

Anarchists utiliza a linguagem do cinema para explorar justamente essa complexidade.

Anarchists (2000)

05. Anarchist from Colony — um jovem da Coreia colonial

Dirigido por Lee Joon-ik, Anarchist from Colony conta a história de Park Yeol e de sua relação com a anarquista japonesa Kaneko Fumiko.

Após o Grande Terremoto de Kanto, em 1923, o governo japonês reprimiu coreanos e socialistas enquanto tentava desviar a responsabilidade pelos massacres de coreanos ocorridos após o desastre.

Park Yeol foi preso nesse contexto.

O filme mostra a personalidade particularmente desafiadora do ativista.

Mesmo diante de um tribunal japonês, ele não escondia suas ideias. Pelo contrário, utilizava o próprio julgamento como uma oportunidade para expor a realidade enfrentada pelos coreanos sob o domínio colonial.

Kaneko Fumiko também ocupa um lugar central na narrativa.

Ela compartilhava com Park Yeol a oposição ao imperialismo japonês e desempenhou um papel importante durante o processo.

Anarchist from Colony apresenta uma dimensão diferente da resistência.

Não há necessariamente armas, grandes batalhas ou operações secretas.

Existe apenas uma pessoa que se recusa a abandonar sua própria voz.

E, naquele contexto, continuar falando também podia ser uma forma de resistência.

Anarchist from Colony (2017)

06. The Battle: Roar to Victory — o campo de batalha da resistência armada

Dirigido por Won Shin-yun, The Battle: Roar to Victory transforma em cinema a Batalha de Bongodong, ocorrida em 1920 na região da Manchúria, na China.

O acontecimento central é o confronto entre unidades do Exército de Independência Coreano, lideradas por figuras como Hong Beom-do e Choi Jin-dong, e as forças japonesas.

O filme mostra os combatentes coreanos atraindo as tropas japonesas para a região de Bongodong e utilizando o terreno para realizar ataques surpresa.

Um dos aspectos mais marcantes da obra é justamente o espaço onde a batalha acontece.

Não são grandes cidades ou palácios.

São montanhas, florestas, vales e trilhas.

Para os combatentes coreanos, aquele território se transforma em uma espécie de arma.

Com menos soldados e equipamentos inferiores aos das tropas japonesas, eles utilizam o conhecimento do terreno para enfrentar um adversário militarmente superior.

The Battle: Roar to Victory também apresenta uma história que não pertence apenas a grandes figuras históricas.

Ela mostra que a luta armada pela independência envolveu muitas pessoas cujos nomes não ficaram registrados na memória popular.



07. Mal-Mo-E — aqueles que protegeram uma língua

Mal-Mo-E (2018)

Quando falamos sobre movimentos de independência, nem sempre é preciso falar de armas.

Dirigido por Eom Yu-na, Mal-Mo-E mostra justamente essa outra dimensão da resistência.

O filme conta a história de pessoas que, durante o período colonial japonês, tentaram preservar a língua coreana através da criação de um dicionário.

Durante o domínio japonês, políticas de assimilação cultural foram implementadas, incluindo restrições ao uso e ao ensino da língua coreana. Nesse contexto, estudiosos ligados à Sociedade da Língua Coreana trabalharam para registrar e preservar o idioma.

Os personagens percorrem diferentes regiões, recolhem palavras e registram seus significados para construir um dicionário.

À primeira vista, parece um trabalho acadêmico.

Mas, naquele contexto, registrar uma língua significava também preservar uma identidade cultural.

É isso que torna Mal-Mo-E particularmente interessante.

O filme mostra que alguém podia lutar pela independência de diferentes maneiras.

Alguns carregavam armas. Outros carregavam livros.

Ambas as ações estavam relacionadas à preservação da identidade coreana diante de uma tentativa de assimilação colonial.

Mal-Mo-E (2018)



O movimento de independência visto pelo cinema

Esses sete filmes contam a mesma história a partir de perspectivas muito diferentes.

Harbin acompanha a decisão de Ahn Jung-geun, enquanto The Battle: Roar to Victory mostra a resistência armada no campo de batalha.

The Age of Shadows explora a tensão da espionagem e da desconfiança. Anarchists apresenta diferentes correntes ideológicas dentro do movimento de independência.

Anarchist from Colony fala sobre resistência através da própria voz, enquanto Mal-Mo-E mostra como preservar uma língua também poderia representar uma forma de resistência.

E Assassination acrescenta outra questão importante: o que aconteceu depois da libertação?

Esses filmes são importantes não apenas porque recriam acontecimentos históricos.

Na Coreia do Sul, a história do movimento de independência continua profundamente conectada ao presente.

A libertação de 1945 é celebrada todos os anos em 15 de agosto, no Dia da Libertação Nacional, conhecido como Gwangbokjeol. Mas a história da independência não começou nem terminou naquele dia.

Durante décadas, inúmeras pessoas atuaram de maneiras diferentes para recuperar a soberania da Coreia.

O cinema não consegue reproduzir toda essa complexidade.

Os roteiros adaptam acontecimentos, modificam personagens, reorganizam cronologias e criam situações dramáticas.

Mas o cinema possui uma capacidade particular.

Ele pode transformar nomes e datas encontrados em livros de história em rostos, vozes, medo e escolhas.

Ao acompanhar esses sete filmes, encontramos não apenas uma grande narrativa sobre a independência, mas muitas pessoas diferentes vivendo o mesmo período histórico de maneiras diferentes.

E é justamente nesse ponto que a história deixa de ser apenas um registro do passado e volta a ser uma história que pode ser compreendida pelo público de hoje.

CLOUD INSIGHT

O movimento de independência coreano não pode ser explicado através de uma única imagem.

Alguns pegaram em armas. Outros atravessaram fronteiras. Alguns enfrentaram tribunais, enquanto outros registraram uma língua que corria o risco de desaparecer.

Os sete filmes mostram justamente essa diversidade.

A independência não foi conquistada de uma única maneira.

O cinema não é a própria história, mas pode funcionar como uma janela através da qual novas gerações reencontram pessoas e escolhas que poderiam desaparecer da memória.

E, através dessa janela, podemos perceber quantas vidas diferentes existem por trás de uma palavra que parece tão simples: independência.


Onde assistir no Brasil?
Atualmente, grande parte dos filmes desta seleção não está disponível nos principais serviços de streaming do Brasil. A disponibilidade pode mudar conforme os contratos de distribuição e os catálogos de cada plataforma.

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